LANCE! Opina: O Bayern de Munique e o futebol além do jogo

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da wazamba: Do lado de cá do Atlântico, o que nos chegam são imagens e histórias chocantes. Nada mais do que isso. Mas não há dúvidas de que o mundo vive, com a explosão imigratória na Europa, talvez a maior crise humanitária desde sempre. Impossível não ser tocado. E não agir.

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Esta semana, como mostrou esse LANCE!, o Bayern de Munique anunciou que dará suporte aos refugiados que chegam à Alemanha, país mais procurado pelos que fogem da guerra e das atrocidades do Estado Islâmico. As previsões são que 800 mil refugiados, a maior parte proveniente da Síria, Eritreia e Afeganistão, entrem no país até o fim do ano.

Seleção alemã se solidarizou com a causa (Foto: AFP)

A ajuda do Bayern, com toda sua força econômica, poderia restringir-se a doações em dinheiro – um milhão de euros (mais de R$ 4 milhões) serão destinados a assistir os que chegam. Mas vai muito além disso: em parceria com o governo, vai organizar um acampamento de formação para meninos refugiados. Eles treinarão no CT do clube, lado a lado com jovens alemães, receberão aulas do idioma, alimentação e material esportivo. Os primeiros passos para a integração social.

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– O Bayern vê como parte de sua responsabilidade ajudar as crianças, mulheres e homens que tiveram de fugir de seus países e passam necessidades assim como de acompanha-los na Alemanha – declarou o ex-jogador Rummenigge, presidente do conselho diretivo do clube.

Rumme continua a ser um craque.

O futebol, como o mais popular esporte do planeta, não deixará de ser jamais muito mais do que um simples jogo de bola. O futebol é um forte componente na formação cultural, política e social dos povos – por mais que a corrupção exacerbada, as vaidades incontroláveis e o jogo de interesses particulares dos cartolas contaminem a pureza da paixão e da emoção que o jogo desperta.

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O futebol provocou uma guerra – Honduras e El Salvador, em 1969 – e silenciou as armas de outra, quando o Santos de Pelé foi jogar no antigo Congo belga. O futebol aproximou iranianos e americanos na Copa da França em 1998, no auge da beligerância entre os dois países. Na própria Alemanha, em 2006, a Copa foi o marco de uma nova nação, que recuperava o seu orgulho, enterrava seus fantasmas e se reintegrava.

Além do anúncio do Bayern, a seleção alemã – em grande parte, lembre-se, formada por descendentes de imigrantes – também divulgou um vídeo de apoio aos refugiados. É o futebol seguindo e puxando o sentimento que hoje domina o país, em que pese ações deploráveis de grupos neonazistas. Um sentimento bem resumido pelo populista diário Bild Zeitung: “A esmagadora maioria dos alemães não tem nada a ver com essa ralé que protesta diante dos asilos para refugiados. A maioria ajuda. Nós ajudamos”.

O futebol ajuda.

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